sexta-feira, 8 de junho de 2012

Miragem de Verão


Se a vida fosse um relógio, eu estaria sob os ponteiros do meio-dia:
— Vivo um sonho sem sombras.
Sempre achamos que já vivemos de tudo. Tem horas que até nos sentimos velhos… Como se nada de novo fosse jamais acontecer. Leda fantasia. A vida é curta demais para fazermos tudo o que é possível ser feito… E também pudera não ser! Há quase infinitas possibilidades. Arranjos talvez nunca imaginados de destinos.
Então o tempo passa e nos revela as conseqüências de nossas decisões — de nossos atos.
O segredo da vida é não lamentar. O tempo não existe. Não agora. Não para mim.
Eu sei que foi utilizada a palavra “agora” e que “agora” remete ao tempo, renegando o que foi dito anteriormente. Mas ainda assim. É que o “agora”, além de agora, é o amanhã, o hoje. Já foi décadas atrás. E será nosso porvir.
O agora é o tempo todo. E está em todo lugar.
Por isso a existência do tempo é pouco provável. Acordaremos apenas quando abrirmos nossos olhos — e então o tempo voltará a estender-se?
Daí em diante abriríamos mão de todas as regras e viveríamos simplesmente para viver. Livres! De uma vez por todas e sem retorno. Envelheceríamos bem antes da idade. O que não é de todo ruim.
Depois relembraríamos sob a luz dourada do Sol que liberdade é ilusão. Queremos a liberdade pela liberdade e através de cada circunstância particular. Ora, a nossa liberdade depende da liberdade dos outros, que, por sua vez, depende da nossa.
A liberdade é o tempo todo. E está em todo lugar.
Por isso a existência de liberdade é pouco provável. Ilusões não existem nem são passíveis de existência — quando acolá de nosso intelecto imaginário, claro. Uma lembrança intensa, por exemplo, de um cheiro da infância, seria ela real? Ou sonhos delirantes com entes queridos já falecidos… Estariam eles realmente mortos, quando vivos dentro de nós?
No fundo, o tempo é isso. Ilusão. Por mais que a noite continue dando lugar ao dia. No fundo, a liberdade é isso. Ilusão. Por mais que todas as estrelas continuem nascendo no Leste. É tudo ilusão.

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